Explica de Novo, Por Favor

novembro 13, 2009 por betobloost

Explica de Novo, Por favor

 

“Nunca vou entender essa coisa de ser underground, ainda mais em um mundo como o de hoje, com youtubes, fotologs, blogs e toda parafernália de divulgação que existe.”

 

Acho que ainda não entendi. Talvez nunca entenda. Não sou old school, mas me considero velho para outras coisas. Como que é mesmo? Pois é. Nunca vou entender essa coisa de ser underground, ainda mais em um mundo como o de hoje, com youtubes, fotologs, blogs e toda parafernália de divulgação que existe. Claro que não vou dizer que skatista underground seja uma lenda urbana. Longe disso, ninguém é dono da verdade, ainda mais absoluta. Também não consigo associar o skate underground somente a calças largas e a “mc´s palquinhos e dj´s bordas”, como diz um amigo meu, ou então a punks de plantão que saem por aí pulando a tudo e a todos…

Talvez não consiga mesmo associar – e isso há algum tempo – a palavra underground ao skate. Lembro que até algum tempo, achava uma determinada crew de São Paulo alguns dos caras mais undergrounds mesmo. São caras que andam muito e que admiro por algumas de suas qualidades, entre elas a humildade, mas como ser underground se, em uma semana está andando de skate no centrão e, na outra, está competindo em um evento ao vivo feito pela Globo, por exemplo. E olha que em nenhum momento falei em perda de identidade, que não acontecerá com nenhum desses caras. Trata-se mais de uma questão de evolução e de aceitar que, a partir do momento em que se está na mídia, seja numa revista, na televisão ou até mesmo em um vídeo independente, você deixa de ser underground. Sai da toca e mostra o seu talento pra outras pessoas…Até mesmo com um vídeo no youtube, você deixa aos poucos de ser underground.

Na verdade, ser underground está mais baseado nas decisões que você toma que nas roupas ou estilo de skate gosta. Em poucas palavras: por que tem gente que acha que o Steve Willians é underground e o Chris Cole não? Eu, na verdade, acho o Steve Willians muito mais pop que o Chris Cole, mas isso é apenas uma mera opinião.

Ser underground, hoje, pode ser apenas uma questão de fugir dos focos, como fez Marcos Mamá. Sair da mídia e apenas andar de skate. No caso dele, andar MUITO de skate, coisa que é uma questão pessoal. Acho que, na verdade, o skate não precisa de undergrounds, mas sim de skatistas cada vez mais talentosos e que queiram mostrar trabalho e boas manobras, usando o tamanho de calça que seja…

Entendeu?

 

Texto extraído da Revista Cemporcento%Skate, Ano 14, Edição 139, Outubro de 2009. Sessão C´est La Vie. Escrito por Rodrigo “K-B-Ça” Vargas de Lima, redator e fotógrafo da revista em questão.

Conclusões Baseadas na Experiência da Visita a uma Igreja Evangélica

setembro 17, 2009 por betobloost

Caro leitor, venho por meio desse medíocre texto, comunicar uma experiência que vivenciei há algumas horas atrás, dia dezenove do mês de maio do ano de dois mil e sete.

Tudo começou quando há uma semana atrás, algumas amigas, colegas de sala, me convidaram a ir à sua igreja, pois haveria um evento especial para celebrar o “dia do amigo”.

Pois bem. Aceitei o convite, mas, fui enfático em dizer que ficaria do lado de fora da igreja, esperando que o evento terminasse e elas saíssem para que pudéssemos ter um pequeno momento de confraternização.

Dito e feito. Meia hora antes de terminar o evento, lá estava eu esperando pelas minhas amigas do lado de fora da igreja.

Cheguei e sentei na escadaria que dava para a entrada do templo e lá fiquei esperando mais quarenta e cinco minutos até que o evento acabasse.

Durante esse tempo de espera, e o tempo que se seguiu após o término do evento, pude presenciar e vivenciar vários fatos que ficariam a martelar em minha mente durante todo o trajeto de volta para casa. São essas experiências e fatos que venho agora compartilhar com você, leitor.

Comecemos falando sobre a forma que a igreja estava ornamentada para o evento: tochas estavam dispostas em torno dos dois lados da escadaria, de forma a lembrar a entrada de um motel. Havia também bexigas por toda a entrada, arrumadas e dispostas de forma a enfeitar a fachada e o hall de entrada do edifício. Dentro do hall, havia três barraquinhas: uma vendendo camisetas com slogans cristãos baratos como “Jesus” ou “Deus é amor”. Na segunda barraca havia pipoca que seria distribuída gratuitamente após o término do culto. Na terceira e última barraca havia vários refrigerantes que, supus, seriam distribuídos juntamente com a pipoca, após o término do encontro.

Os quarenta e cinco minutos que tive de esperar até o término da missa evangélica foram longos e chatos. O clímax desse período de espera foi quando o culto acabou e as pessoas começaram a sair da nave do templo.

Achei engraçado o som que saia da nave e que uma caixa de som posta do lado de fora transmitia para qualquer um que caminhasse pela rua: não reparei nas letras, mas, os estilos variaram desde o reggae (o mesmo que os usuários de maconha gostam de ouvir quando estão fumando um “cigarrinho da paz”) até o rock pesado (que faz jus a bandas de black metal como o Slayer, que faz apologia ao satanismo e ao neonazismo), passando pelo dance (o mesmo que embala as noitadas à fora em raves e boates e onde os freqüentadores deliram enquanto dançam e sentem o efeito do ecstasy sobre o seu organismo) e não faltando o pop (estilo que consagrou vários artistas que faziam uso freqüente de “coca” e que os próprios evangélicos os condenam por fazer pacto com o diabo, se é que isso existe).

Mas, por que havia uma caixa de som disposta para a rua? Será que seria para que “ovelhas desgarradas”, como eu, se sentissem atraídas pelo som e entrassem no “templo do interesse”? E por que desses estilos musicais que levam os jovens ao delírio estarem sendo tocados ali, na casa de Deus? Será que seria parte de uma estratégia pertencente a uma entidade maior (Deus!?) que tem por finalidade manter esses jovens na congregação?

As roupas que os jovens usavam também são dignas de nota: meninas usando mini-saias, tamanco alto, … muito atraentes e bem arrumadas, por sinal. Os rapazes não ficavam para trás: usando tênis de marca e camisetas de grife. Muito interessante, mas, apesar daquilo ser uma igreja, as pessoas que ali se encontravam estavam vestidas, aparentemente, para ir a uma casa noturna (que por sinal, a igreja é enfática em condenar).

O comportamento desses jovens era um tanto cômico: meninas distribuindo olhares penetrantes, apontando e cochichando sobre meninos e, os rapazes, “chegando nas meninas”.

Comecei a gostar daquele lugar: era uma boate em que as pessoas que freqüentassem tinham o passaporte para o paraíso assegurado.

Logo a música parou e um locutor começou a fazer anúncios pela caixa de som: “camisetas do Smilinguido por trintão”… “refrigerante por um real”…De repente, de boate, aquilo pareceu virar uma feira. Lembrei da passagem bíblica em que Jesus expussou os mercadores do templo…dois mil anos depois, o cadáver dele deve estar se remexendo na tumba pelo fato de as pessoas estarem fazendo da casa de seu Pai uma feira medieval em pleno século vinte e um.

Bom, conversa vai, conversa vem e eu conheci um rapaz interessante. Seu nome era Ricardo. Cursava o segundo ano de jornalismo em uma faculdade particular da cidade. Me disse que era freqüentador assíduo daquela igreja. Disse também que lutava vale-tudo e que havia quebrado o nariz de um cara “folgado” esses dias na rua (soldado de Cristo!?). Mas, o ponto que mais chamou atenção em nossa conversa foi quando ele me perguntou sobre a minha religião. Eu respondi que era ateu. Depois de minha resposta, Ricardo estatelou os olhos e ficou a me olhar como uma nova atração em um zoológico qualquer. Passado esse momento de transe, ele me perguntou se eu não tinha medo de ir para o inferno. Engraçada essa pergunta. Eu lhe disse que não acreditava em Deus e ele me perguntou se eu não tinha medo de ir para o inferno? Por acaso, devo eu acreditar no inferno? Se não acredito em Deus, por que temer o purgatório? Quanto a meu novo amigo: será que ele acreditaa em Deus porque gosta de Deus e busca uma evolução pessoal ou será que ele acredita em Deus porque tem medo do inferno?

Acabado o papo, peguei o caminho rumo a minha casa e fui embora pensando sobre como as verdades das pessoas se escondem atrás de mentiras e como somos todos os dias castrados e crucificados por um sistema que valoriza a aparência em detrimento da essência.

 

20/05/07, 1:25 da manha.